sexta-feira, 28 de abril de 2017

Greve Geral

Hoje é dia de celebrar a maior das conquistas do capitalismo: o trabalho livre! O direito que temos de decidir, a cada dia, se vamos ou não trabalhar. Se isso é exercido coletivamente, se chama GREVE. Nos outros regimes, e não estou falando de socialismo pois isso nunca existiu, mas de escravismo e feudalismo, as pessoas eram obrigadas a trabalhar, sob pena de serem punidas. As reformas trabalhistas e previdenciárias criam uma situação muito parecida, em que a liberdade de trabalho será só uma aparência, pois a punição para quem não trabalha, não interessa se por estar velho, doente ou por não conseguir vagas, será a morte e o desamparo.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

sobre os movimentos sociais de direita

Ultimamente temos visto o crescimento de movimentos de direita, que se organizam em torno de discursos de ódio, tais como MKLB, apoiadores do Bozonabo, grupos abertamente machistas, racistas e xenófobos. Não é privilégio brasileiro, como o mostram o Pato Donald Tramp, a Pepe Le Gambá na França e o ISIS. Numa análise muito rasteira e pouco útil, nos acostumamos a rotular esses grupos de "fascistas" ou "fundamentalistas" e a tratá-los como inimigos a serem combatidos, seres desprezíveis a serem ignorados, loucos furiosos merecedores de tratamento ou ignorantes fugitivos dos bancos escolares. Infelizmente, creio que estamos errados. Essa rotulagem simplificadora não nos ajuda a entender de onde vieram e o que está acontecendo. Estamos repetindo os erros de análise que se tornaram vícios da ciência social e do pensamento (pouco) crítico no Brasil: tentamos conformar fenômenos novos a velhas categorias teóricas, algumas superadas desde o século XIX. Mais grave: estamos abrindo mão da oportunidade de realmente entender, ouvir e compreender o outro. Aqui não tenho respostas, mas creio que as perguntas certas são: que tipo de tensão social, emocional e psicológica insuportável motivou essas pessoas a se organizarem, se reconhecerem como grupo e construírem um ideário partilhado? Porque a voz de lideranças para nós caricatas, vazias e até perigosas, tais como Kinta Katiguria, reverberou, repercutiu e provocou adesão de tanta gente? Não adianta responder que são doidos, ignorantes, machistas ou reprimidos, porque esse tipo de gente sempre existiu mas esses grupos são um fenômeno novo. Também é pouco esclarecedor rotular tudo isso de "fascismo" como se estivéssemos de volta à década de 1930, porque não estamos. A crise econômica de 2008 é muito diferente da de 1929, hoje não existe União Soviética e as novas tecnologias forjaram uma sociedade de massas, com cultura massificada e comunicação em tempo real, que nenhum teórico pré segunda guerra mundial poderia conceber. Se não estudarmos esses caras a sério, hoje, vamos nos arrepender, pois talvez não haja Escola de Frankfurt nem Nuremberg depois da terceira guerra mundial, somente paus e pedras, como previu Einstein.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Lava-jato, corruptores e ladrões



As reações e os discursos sobre a Operação Lava Jato e a recente delação da Odebrecht mostram uma moral invertida que tem em incomodado muito. Parece que só os políticos são os criminosos (e são mesmo, porque são corruptos). Mas os empresários e empresas são os verdadeiros “ladrões”, e contra eles não há manifestações de indignação.

Vou explicar. Primeiro, não existe empresa lucrativa no Brasil sem o estado. As construtoras, agora no centro da bagunça, só existem à base de obras públicas e crédito subsidiado. BNH, "minha casa minha vida", obras, estradas, construção de prédios, hidrelétricas. Elas não sabem ganhar dinheiro sem que o estado facilite. 

Ultimamente nos acostumamos com o discurso “todo poítico é ladrão”. Errado, não é o deputado ou governador que são “ladrões”, eles são corruptos. "Ladrão" é quem pega o dinheiro público pra ele. Esses caras receberam dinheiro privado, propina. "Ladrão" é o empresário, que recebe do estado para fazer uma obra e não faz, ou faz superfaturado, o que dá no mesmo: cobrou pelo que não fez.

O político é culpado, claro, do mesmo jeito que o segurança do banco que “dá a letra” pra quadrilha de assaltantes também é. Mas o ladrão não é o segurança, nem o motorista do carro forte que facilita, ou a doméstica que conta pros mano onde tem jóia no condomínio. Ladrão é o cara que leva o dinheiro pra ele, não o que facilita.

Político não é ladrão. É facilitador. Ladrão é o empresário.

Por isso eu acho muito estranho louvarem o delator e culparem somente os políticos. É como se perdoassem o traficante se ele passasse a lista de usuários, de compradores. Se reduzissem a pena dele em troca de descobrir quem eram os compradores da droga.

Esse discurso é perigoso. Os políticos, bons ou maus, a maioria maus, foram eleitos. Os empresários não foram. Eu não escolhi dar meu dinheiro pra Odebrecht ou pra qualquer outro dono de empresa privada. Mas eu posso votar em alguém honesto (como fiz nas últimas eleições, nem meu deputado nem o senador em que votei aparecem na delação).

Sabe quem ganha com o discurso “todo político é ladrão”? A ditadura. Sabe quem ganha com o discurso “o empresário é vítima do político ladrão”? O empresário, corruptor, verdadeiro ladrão do dinheiro público.

Enquanto isso os bancos, que lavam o dinheiro dos corruptos e traficantes, continuam sossegados, nem ninguém os incomodar...