quarta-feira, 26 de abril de 2017
sobre os movimentos sociais de direita
Ultimamente temos visto o crescimento de movimentos de direita, que se organizam em torno de discursos de ódio, tais como MKLB, apoiadores do Bozonabo, grupos abertamente machistas, racistas e xenófobos. Não é privilégio brasileiro, como o mostram o Pato Donald Tramp, a Pepe Le Gambá na França e o ISIS. Numa análise muito rasteira e pouco útil, nos acostumamos a rotular esses grupos de "fascistas" ou "fundamentalistas" e a tratá-los como inimigos a serem combatidos, seres desprezíveis a serem ignorados, loucos furiosos merecedores de tratamento ou ignorantes fugitivos dos bancos escolares. Infelizmente, creio que estamos errados. Essa rotulagem simplificadora não nos ajuda a entender de onde vieram e o que está acontecendo. Estamos repetindo os erros de análise que se tornaram vícios da ciência social e do pensamento (pouco) crítico no Brasil: tentamos conformar fenômenos novos a velhas categorias teóricas, algumas superadas desde o século XIX. Mais grave: estamos abrindo mão da oportunidade de realmente entender, ouvir e compreender o outro. Aqui não tenho respostas, mas creio que as perguntas certas são: que tipo de tensão social, emocional e psicológica insuportável motivou essas pessoas a se organizarem, se reconhecerem como grupo e construírem um ideário partilhado? Porque a voz de lideranças para nós caricatas, vazias e até perigosas, tais como Kinta Katiguria, reverberou, repercutiu e provocou adesão de tanta gente? Não adianta responder que são doidos, ignorantes, machistas ou reprimidos, porque esse tipo de gente sempre existiu mas esses grupos são um fenômeno novo. Também é pouco esclarecedor rotular tudo isso de "fascismo" como se estivéssemos de volta à década de 1930, porque não estamos. A crise econômica de 2008 é muito diferente da de 1929, hoje não existe União Soviética e as novas tecnologias forjaram uma sociedade de massas, com cultura massificada e comunicação em tempo real, que nenhum teórico pré segunda guerra mundial poderia conceber. Se não estudarmos esses caras a sério, hoje, vamos nos arrepender, pois talvez não haja Escola de Frankfurt nem Nuremberg depois da terceira guerra mundial, somente paus e pedras, como previu Einstein.
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