Divagações sobre o prêmio Nobel concedido ao Bob Dylan
1) Gosto muito da obra do Dylan, mas existem poetas letristas melhores. David Bowie, Paul McCartney e Neal Peart mereciam um prêmio Nobel também. Bowie não ganha porque já morreu, mas os outros contem com meu apoio, extensível ao Warrell Dane, Blaze Bayley, Geoff Tate, Dave Mustaine, Jon Anderson, Glenn Hughes e Daniel Gildenlow.
2) Achei corajosa e surpreendente a decisão do comitê do Nobel de considerar letras de música como forma de literatura. Isso pode ser muito ruim, pois num mundo em que o hábito de ler está cada vez menos frequente e valorizado, muitos vão confundir as duas formas de arte e deixar de ler livros. A experiência de se emocionar com uma letra de música é maravilhosa, e eu valorizo muito isso, como músico, compositor e consumidor compulsivo de música que sou. Mas literatura é outra coisa: sou eu e o texto. O leitor que dá o ritmo, a velocidade, a interpretação, não o cantor. Essa experiência transcedental não tem paralelo. É pela literatura que compartilhamos experiências alheias e entramos na mente de outra pessoa. Não há outra forma de fazer isso.
3) Já que abriram as portas para um letrista, nada impede que outras formas de arte recebam o prêmio Nobel. Assim, para 2018 meu candidato é Alan Moore, roteirista de quadrinhos. Os irmãos Nolan (Amnésia) e as irmãs Wachovsky (Matrix) merecem o prêmio também pelos roteiros de filmes que já escreveram.
4) Percebi que nenhum dos meus autores favoritos jamais ganhou o prêmio Nobel de literatura. Então foda-se o prêmio, que já foi concedido a escritores medíocres (o cara do Dr. Jivago, por exemplo) e gente detestável (Sartre, que só escreveu um conto que presta, enquanto quem merecia muito mais era sua esposa Simone).
5) Eu não gostei de nenhum dos premiados recentes, salvo a Svletana sei lá o quê, que escreveu dois livrinhos muito interessantes e bonitos, que ainda não li. A premiação da ucraniana também foi criticada, porque ela não seria escritora, mas jornalista. Aí já acho exagerado. Lançou livro é escritor.
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